Mais de um milhão de horas de imagens e sons que retratam a memória social, política e cultural gaúcha, entre os quais, documentos únicos e memoráveis, tais como o Acervo de imagens da extinta TV PIRATINI, estão sem as condições mínimas de guarda no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, entidade ligada a Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
A ONG ARQVIVE vem alertando as autoridades competentes sobre o caso, mas só depois de dois anos é que foram observadas algumas questões. Após depoimento do presidente da ONG Yuri Victorino à Rádio Guaiba, em entrevista especial produzida pelo jornalismo daquela emissora, é que, por exemplo, um diretor veio a tomar posse.
O futuro do patrimônio audiovisual gaúcho está em jogo. Mas parece que este assunto não é de MAIOR interesse dos governantes. Já se passaram muitos anos, este farto vem sendo relatado aos diversos responáveis pela cultura de nosso Estado, que detiveram o poder político na última década.
Boa parte das dezenas de centenas de horas de imagem em movimento retratando a trajetória da sociedade gaúcha poderão desaparecer em razão do armazenamento inadequado, da fragilidade dos suportes. Ou, simplesmente, porque não encontraremos maquinários adequados que façam a leitura dos documentos, tal como acontece hoje em dia com os mais antigos.
Dos suportes fílmicos – que restam poucos exemplares, visto que a TVE (detentora dos direitos dos documentos audiovisuais depositados no Museu) sofreu sinistros no século passado – pouco material que sobrou se decompõe a olhos vistos. A própria fragilidade dos suportes representa um risco à conservação, motivo pelo qual deveríam ser tomadas iniciativas imediatas para que não se perca, em caráter permanente, o que nos sobra.
A síndrome do vinagre, que é a decomposiçao química irreversível que atinge as películas fílmicas, é a principal consequência que este tipo de documentação sofre. Se perde em média 5% do acervo por anos.
Segundo o historiador Pîerre Nora, o patrimonio audivisual é um “local de conservaçao de histórias”. O documento audiovisual é fundamental à inteligibilidade de nossa época.
Já nao é possível escrever a história como antes se escrevia. A história sempre evolui em funçao das fontes disponíveis, e a própria vida em sociedade, na contemporaneidade, se desenrola em produçoes midiáticas que nao podem ser ignoradas pelo historiador.
Mas até quando as autoridades responsáveis serão responsáveis? Até que um novo governo venha asumir e provavelmente dar continuidade a este crime?
É por isso que devemos – todos os cidadãos brasileiros – ficar de olhos bem abertos e cobrar dos responsáveis soluções eficazes e permanentes. Só assim teremos resultados positivos e reais.
Yuri Victorino